
Enquanto Moro e Sandro Alex foram à guerra no último debate da RPC, Requião Filho assistiu de camarote — e os números mostram quem pode, de fato, encostar no líder.
O último debate ao governo do Paraná, promovido pela RPC na noite de terça-feira (29), foi anunciado como o primeiro encontro dos três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas. Virou outra coisa: um duelo. E a imagem mais reveladora da noite não veio dos tiros trocados entre Sérgio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) — veio da postura de quem assistiu à guerra de camarote. Requião Filho (PDT) entregou ao Paraná a cena de um candidato que já se vê derrotado e que, ao recuar, abriu o palco para a disputa que realmente decide o estado.
Moro começou escolhendo Sandro para o confronto direto, e o menosprezo veio no tratamento: suprimiu o primeiro nome e tratou o adversário apenas por “Alex”, como quem fala de subordinado, não de rival. Sandro devolveu com juros. Cobrou o voto do senador na indicação de Flávio Dino ao STF e cravou: “O senhor é oportunista, traiu o Flávio Bolsonaro e o pai dele diversas vezes”. Moro contra-atacou prometendo expor as obras do governo estadual e selou o tom da noite com a frase que resume a eleição paranaense: “Eu não falo o nome do Lula e você não fala do Ratinho Jr.” O clima foi tão ácido que os dois pediram direito de resposta logo na abertura — pedido negado pela jurídica da RPC. E nem o dia seguinte poupou o duelo: Moro saiu do palco dizendo que Sandro demonstrou “instabilidade emocional”. Quando o líder da corrida gasta a madrugada desqualificando o segundo colocado, é porque o número que o assusta não é o do terceiro.
Requião Filho, que precisava de um milagre — aparece com 23% na pesquisa Real Time Big Data, atrás de Moro (36%) e Sandro Alex (28%) —, escolheu a prudência. Distribuiu farpas de veludo: chamou Moro de “deserto de ideias”, disse que Sandro “já não está no segundo turno” e gastou o tempo cobrando propostas para saúde, segurança e educação. Nada errado. Nada decisivo. Entre ele e Moro, o clima foi de respeito velado — afagos disfarçados de crítica, uma cordialidade que não existiu em nenhum minuto da guerra entre o senador e o candidato do PSD. Quem pede foco em propostas enquanto os adversários se digladiam não está disputando vaga no segundo turno. Está se despedindo dele.
E a matemática confirma a leitura. Na Real Time Big Data divulgada na terça, Moro vence qualquer simulação contra Requião. Contra Sandro Alex, o cenário muda: 41% a 39%, empate técnico. Sandro é o único candidato do Paraná que encosta no líder — e o único que cresce de verdade: saltou de 28% no primeiro turno para 39% num eventual segundo turno, um ganho de 11 pontos que nenhum outro nome da disputa apresenta.
É aqui que a postura de Requião ganha contorno de estratégia — e de confissão. No palco, o pedetista ainda repetiu o script de que pesquisas internas o colocam na disputa final. Mas a postura traiu o discurso. O filho de Requião não recuou por acaso: recuou porque fez a conta. Sandro Alex é o candidato que quase não carrega rejeição entre o eleitorado paranaense, o herdeiro natural do programa de Ratinho Júnior — as obras, os investimentos nos municípios, a continuidade da máquina — e o único com espaço real para encarar Moro de frente no segundo turno. Ao sair da linha de fogo, Requião deixa o campo limpo para que o eleitorado que hoje é dele — e que não vota em Moro — migre para o PSD. Não é rendição por fraqueza. É a constatação, fria, de que a melhor opção para o Paraná em 2026 não tem o sobrenome dele.
Sandro Alex, no palco, fez a lição de casa: defendeu as obras, os índices da educação estadual e a continuidade dos programas do governo — e, de quebra, se blindou da nacionalização que Moro tentou impor, ao se recusar a definir palanque presidencial. Enquanto o senador se agarra ao bolsonarismo e ao passado da Lava Jato, o candidato do PSD fala de Paraná. E é o Paraná que decide no domingo (4).
Falta saber se Requião Filho vai formalizar o que o debate já anunciou. O recuo de ontem não foi fraqueza: foi o recado mais eloquente de que, no Paraná de 2026, a eleição é Moro x Sandro Alex — e o pedetista, com a postura de quem já escolheu o lado, apenas confirmou.
