Moro arrasa em Santo Antônio da Platina e vence traição de Gil Martins

As urnas de Santo Antônio da Platina deram neste domingo (4) um veredito implacável sobre a política de alianças da gestão municipal. O governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL), arrasou na cidade: 11.859 votos, 54,15% dos votos válidos. O candidato apoiado por Gil Martins, Sandro Alex (PSD), o ex-candidato do governador Ratinho Júnior, amargou 5.052 votos, apenas 23,07%. Menos da metade. Em números redondos, cada voto dado a Sandro Alex, o eleitor de Santo Antônio da Platina deu mais de dois a Moro.

O preço da traição
Nas eleições municipais de 2024, Sérgio Moro esteve no palanque de Gil Martins, prefeito de Santo Antônio da Platina. A foto existe, o palco existiu, o abraço foi registrado. Menos de dois anos depois, o palanque invertou: quem apareceu ao lado de Sandro Alex, o ex-candidato de Ratinho Júnior, foi o próprio Gil Martins. E do outro lado? Nenhuma aparição pública de Gil Martins na campanha de Sérgio Moro. O prefeito de Santo Antônio da Platina não subiu em palanque nenhum com o agora governador eleito, nem na própria cidade.
O eleitor platinense não acompanhou a troca. Enquanto Gil apostava na chapa do palácio, a cidade votou em peso em Moro. A matemática expôs o erro de cálculo: 11.859 a 5.052. E a punição não ficou só em Santo Antônio da Platina. No estado, Moro foi eleito governador no primeiro turno, com 50,11% dos votos válidos (mais de 3,1 milhões de votos), enquanto Sandro Alex ficou em segundo lugar, com 25,35%. Requião Filho (PDT) fechou com 23,47%.

Os 30 eleitos para a Câmara Federal e a votação em Santo Antônio da Platina
O Paraná renovou as 30 cadeiras da bancada federal. PL e PT elegeram 5 deputados cada; Novo, PSD e PP, 4 cada; União, Republicanos e Podemos, 2 cada; PV e MDB, 1 cada. O mais votado do estado foi Jeffrey Chiquini (Novo), com 425.399 votos.
Os mais votados em Santo Antônio da Platina para a Câmara Federal:
Pedro Lupion (Republicanos): 8.699 votos (39,37%) — o mais votado da cidade, reeleito (109.874 no estado, 11º mais votado)
Luísa Canziani (União Brasil): 2.589 votos (11,72%) — não eleita
Jeffrey Chiquini (Novo): 1.098 votos (4,97%) — eleito, o mais votado do Paraná
Zeca Dirceu (PT): 1.011 votos (4,58%) — reeleito (José Carlos Becker de Oliveira e Silva, 160.650 no estado, 6º mais votado)
Roberto Requião (PDT): 604 votos (2,73%) — não eleito
Ana Júlia (PT): 539 votos (2,44%) — eleita (184.691 no estado)
Newton Bonin (Republicanos): 523 votos (2,37%) — eleito (54.935 no estado)
Andre Luiz Vargas Ilario (PT): 462 votos (2,09%) — não eleito
Sargento Fahur (PL): 410 votos (1,86%) — eleito (242.643 no estado)
Delegado Matheus Laiola (União Brasil): 404 votos (1,83%) — eleito (113.690 no estado)
Os 30 deputados federais eleitos pelo Paraná (votação final no estado):
Jeffrey Chiquini (Novo): 425.399 votos (6,81%)
Guilherme Kilter (Novo): 269.832 votos (4,32%)
Sargento Fahur (PL): 242.643 votos (3,88%)
Ana Júlia (PT): 184.691 votos (2,96%)
Beto Preto (PSD): 177.032 votos (2,83%)
Zeca Dirceu (PT): 160.650 votos (2,57%)
Rosangela Moro (PL): 146.417 votos (2,34%)
Aliel Machado (PV): 118.691 votos (1,90%)
Renato Freitas (PT): 115.227 votos (1,84%)
Delegado Matheus Laiola (União Brasil): 113.690 votos (1,82%)
Pedro Lupion (Republicanos): 109.874 votos (1,76%)
Felipe Francischini (Podemos): 106.907 votos (1,71%)
Carol Dartora (PT): 101.823 votos (1,63%)
Paranhos (PSD): 99.070 votos (1,59%)
Ricardo Barros (PP): 94.050 votos (1,50%)
Leandre (PSD): 90.185 votos (1,44%)
Paulo Litro (União Brasil): 88.601 votos (1,42%)
Toninho Wandscheer (PP): 88.157 votos (1,41%)
Da Costa do Perdeu Piá (Podemos): 86.070 votos (1,38%)
Tião Medeiros (PP): 85.951 votos (1,38%)
Marcelo Belinati (PP): 83.906 votos (1,34%)
Arilson Chiorato (PT): 77.671 votos (1,24%)
Vermelho (PL): 72.166 votos (1,15%)
Sergio Souza (MDB): 69.791 votos (1,12%)
Henrique Mecabô (Novo): 65.706 votos (1,05%)
Luizão Goulart (PSD): 63.480 votos (1,02%)
Newton Bonin (Republicanos): 54.935 votos (0,88%)
Delegado Francischini (PL): 53.207 votos (0,85%)
Ricardo Arruda (PL): 51.663 votos (0,83%)
Paulo Martins (Novo): 44.029 votos (0,70%)

Os 54 eleitos para a Assembleia Legislativa e a votação em Santo Antônio da Platina
A Alep terá 14 cadeiras do PL, 14 do PSD, 8 do PT, 6 do PP, 3 do Novo, 3 de Podemos, 3 de Republicanos, 2 do MDB e 1 do PDT. O mais votado do estado foi Paulo Melo (PL), com 192.409 votos.
Os mais votados em Santo Antônio da Platina para a Assembleia:
Bruna Lemes (PL): 4.963 votos (22,77%) — a mais votada da cidade, não eleita
Cobra Repórter (PSD): 2.165 votos (9,93%) — reeleito (Devanil Reginaldo da Silva, 65.282 no estado)
Romanelli (PSD): 1.871 votos (8,58%) — eleito (83.364 no estado, entre os 10 mais votados da Alep)
Valter Antonio Pereira (PT): 1.049 votos (4,81%) — não eleito
Maria Victoria (PP): 1.043 votos (4,78%) — eleita (73.993 no estado)
Amir Salmen (União Brasil): 908 votos (4,17%) — não eleito
Mauro Moraes (PL): 742 votos (3,40%) — eleito (51.372 no estado)
Alex Canziani Silveira (Avante): 671 votos (3,08%) — não eleito
Professor Lemos (PT): 669 votos (3,07%) — reeleito (José Rodrigues Lemos, 123.338 no estado, 3º mais votado da Alep)
Denian Couto (PL): 566 votos (2,60%) — eleito (71.370 no estado)
Os 54 deputados estaduais eleitos pelo Paraná (votação final oficializada pelo TRE-PR):
Paulo Melo (PL), 192.409 votos (3,10%)
Jessicão (PL), 131.673 votos (2,12%)
Professor Lemos (PT), 123.338 votos (1,99%)
Marcio Nunes (PSD), 119.707 votos (1,93%)
Gugu Bueno (PSD), 105.124 votos (1,70%)
Hussein Bakri (PSD), 99.700 votos (1,61%)
Do Carmo (Podemos), 83.445 votos (1,35%)
Romanelli (PSD), 83.364 votos (1,35%)
Bruno Secco (Novo), 82.898 votos (1,34%)
Delegado Jacovós (PL), 76.373 votos (1,23%)
Traiano (PSD), 75.694 votos (1,22%)
Maria Victoria (PP), 73.993 votos (1,19%)
Denian Couto (PL), 71.370 votos (1,15%)
Mabel Canto (PP), 70.180 votos (1,13%)
Cobra Repórter (PSD), 65.282 votos (1,05%)
Delegada Tathiana Guzella (PL), 65.046 votos (1,05%)
Luiz Fernando Guerra (Novo), 64.788 votos (1,05%)
Artagão Júnior (PSD), 64.572 votos (1,04%)
Flávia Francischini (PL), 63.831 votos (1,03%)
Thiago Buhrer (PSD), 63.192 votos (1,02%)
Moacyr Fadel (PSD), 60.446 votos (0,98%)
Alisson Wandscheer (PP), 58.528 votos (0,94%)
Ulisses Maia (PSD), 56.388 votos (0,91%)
Soldado Adriano José (PSD), 54.848 votos (0,88%)
Adão Litro (PSD), 54.826 votos (0,88%)
Ney Leprevost (Republicanos), 53.372 votos (0,86%)
Anibelli Neto (MDB), 52.038 votos (0,84%)
Mauro Moraes (PL), 51.372 votos (0,83%)
Matheus Vermelho (PL), 51.316 votos (0,83%)
Bazana (PSD), 51.207 votos (0,83%)
Jasson Goulart (Republicanos), 50.693 votos (0,82%)
Cesar Silvestri (PP), 50.175 votos (0,81%)
Goura (PDT), 49.778 votos (0,80%)
Paulo Gomes da TV (PL), 48.876 votos (0,79%)
Fão do Bolsonaro (PL), 48.309 votos (0,78%)
Ricardo Zampieri (PL), 47.231 votos (0,76%)
Batatinha (PSD), 46.483 votos (0,75%)
Miss Preta (PT), 45.566 votos (0,74%)
Paulo Mac Donald (PP), 45.276 votos (0,73%)
Mario Verri (PT), 45.047 votos (0,73%)
Yasmin Hachem (PT), 43.343 votos (0,70%)
Felipe Machado da Saúde (PP), 43.300 votos (0,70%)
Itamar Paim (PL), 42.880 votos (0,69%)
Fabiana Parro (Podemos), 42.192 votos (0,68%)
Alexandre Amaro (Republicanos), 42.031 votos (0,68%)
Gerson Colodel (MDB), 41.766 votos (0,67%)
Lu Bonatto (Podemos), 39.738 votos (0,64%)
Emerson Bacil (PL), 38.400 votos (0,62%)
Gilberto Ribeiro (PL), 37.846 votos (0,61%)
Beto Vizzotto (PT), 36.097 votos (0,58%)
Angelo Vanhoni (PT), 35.862 votos (0,58%)
Thiago Foltran (PT), 32.831 votos (0,53%)
Deivid Wisley (Novo), 31.935 votos (0,52%)
Dr. Antenor (PT), 30.467 votos (0,49%)

Repare na ironia: a mais votada da cidade para a Assembleia, Bruna Lemes, ficou de fora. Quem levou foram Romanelli e Cobra Repórter, ambos do PSD, o partido do grupo de Ratinho Júnior, o mesmo palanque que Gil Martins escolheu.
O fim do ciclo de Luísa Canziani
A derrota mais simbólica para a política local, porém, tem nome e sobrenome: Luísa Canziani não foi eleita. A deputada federal, que por muito tempo pagou o salário de Gil Martins como assessor, terminou como a principal suplente da União Brasil, a pouco mais de 3 mil votos da vaga. Foi a segunda candidata mais votada da cidade, com 2.589 votos, mas o favor de Santo Antônio da Platina não bastou para salvá-la. O pai dela, Alex Canziani, também ficou pelo caminho, com 671 votos na cidade e nenhuma cadeira.
A deputada que ajudou a fazer o prefeito em Santo Antônio da Platina não resistiu ao novo mapa político. E o eleitor platinense mostrou que acompanha, linha por linha, quem aposta em quem.

E agora, Moro?
Fica a pergunta que vai dominar os bastidores da política paranaense nos próximos quatro anos: como Sérgio Moro vai se comportar diante da traição declarada de Gil Martins, agora que comanda o Palácio Iguaçu?
A traição foi pública, fotografada e documentada. Moro esteve no palanque de Gil Martins em 2024; Gil retribuiu aparecendo no palanque de Sandro Alex e sumiu da campanha de Moro, sem uma única aparição pública ao lado do senador, nem em Santo Antônio da Platina. E perdeu feio nos dois tabuleiros: na cidade e no estado. Moro agora é o governador, e Santo Antônio da Platina depende do estado para saúde, estradas, escolas e recursos.

Será que a traição será esquecida em nome da governabilidade? Ou Moro vai lembrar, em cada pedido que chegar de Santo Antônio da Platina, que com Gil Martins não se pode confiar?
O eleitor já respondeu nas urnas: 11.859 contra 5.052. Resta saber se o governador responderá no orçamento.

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