
Frente ao Prédio Histórico da UFPR, na Praça Santos Andrade, a maior mobilização estudantil dos últimos anos denuncia o projeto de cortes de Flávio Bolsonaro e defende a soberania do Brasil nas ruas
Neste exato momento, um mar de gente toma a Praça Santos Andrade, em frente ao Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná. Estudantes das universidades e das escolas secundaristas do Paraná ocupam as ruas do centro de Curitiba nesta quinta-feira (8) em um ato que une três bandeiras que o movimento estudantil considera inseparáveis: a defesa da educação pública, a defesa do Estado Democrático de Direito e o apoio à reeleição do presidente Lula no segundo turno das eleições, marcado para o dia 25 de outubro.
O ato de Curitiba se soma à maior onda de mobilização estudantil dos últimos anos. Na terça-feira (6), a União Nacional dos Estudantes (UNE) aprovou apoio à candidatura de Lula e lançou a campanha “Estudantes com Lula”, um “estado permanente de mobilização” que segue até a véspera da votação. Mais de 40 assembleias, plenárias e protestos foram convocados em universidades de 14 estados e no Distrito Federal, e mais de 20 atos estão previstos em dez estados só nesta semana. Do Rio de Janeiro a Salvador, de Porto Alegre a Recife, a juventude brasileira está nas ruas.
O que move essa onda tem nome, número e data. O orçamento das universidades federais já amarga um corte de quase R$ 500 milhões em 2026, segundo a Associação Nacional das Universidades Federais (ANDIFES). O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê o corte de 1,5% do PIB em despesas a partir de 2027, e entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a CUT alertam que o golpe recairá sobre o Fundeb, sobre o piso salarial dos professores e sobre a própria existência do ensino público. O candidato anunciou ainda que, se eleito, enviará ao Congresso uma PEC de corte de gastos antes mesmo da posse. Para quem depende da escola e da universidade pública, a conta é clara: é o futuro dos filhos da classe trabalhadora sendo cobrado para financiar um projeto de desmonte.
A disputa está aberta e cada voto pesa. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro somou 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. As primeiras pesquisas do segundo turno, divulgadas nesta quinta, confirmam o empate técnico: o Datafolha aponta 52% a 48% em votos válidos e o PoderData, 53% a 47%. O primeiro turno deixou para trás também 33,4 milhões de eleitores ausentes, mais de 21% do eleitorado, um contingente capaz de decidir sozinho esta eleição. O segundo turno de 2026 deixou de ser uma disputa eleitoral para se tornar um plebiscito: ou se confirma um país soberano, que trata educação como investimento e democracia como patrimônio, ou se entrega o orçamento público ao desmonte.
É por isso que os estudantes estão na rua. A universidade pública que forma médicos, professores, engenheiras e cientistas é instrumento de soberania nacional, e quem ameaça estrangulá-la ameaça o país inteiro. O movimento estudantil classifica a candidatura adversária como uma ameaça fascista à democracia, e não é por acaso: é um projeto que já viu suas bases invadirem os três Poderes da República e que trata a educação pública como estorvo, e não como direito. Barrar esse projeto nas urnas no dia 25 é tarefa de todo o povo brasileiro.
Da Praça Santos Andrade, a mensagem atravessa Curitiba e o Brasil: a educação pública não se rende, a democracia não se negocia e a soberania do Brasil não se entrega. As ruas já decidiram. Falta confirmar nas urnas.
Vídeo e fotos enviados com exclusividade ao Café com Pimenta por manifestantes presentes no ato em Curitiba. Confira abaixo. Reprodução autorizada com crédito. (confira as fotos e videos)






