
Intolerância política atinge o limite em Curitiba: manifestante quebra vidro de carro com haste de bandeira; agressor identificado é vereador
A noite de sábado (17) no Centro de Curitiba deixou uma imagem que deveria envergonhar qualquer pessoa que se diz democrata. Durante manifestação de apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), convocada pelo governador eleito Sergio Moro (PL), um grupo de manifestantes atacou um carro que tentava atravessar a esquina das ruas Dr. Muricy e XV de Novembro. O motivo? O veículo tinha um adesivo de Lula (PT).
O motorista, Carlos Diovane, estava acompanhado de uma mulher. Os manifestantes gritaram “lixo” em coro, arremessaram objetos e chutaram o carro para impedir a passagem. Quando Diovane desceu para pedir que parassem, a agressividade só cresceu. Foi aí que um homem usou a haste de uma bandeira do Brasil para estilhaçar o vidro traseiro do veículo. As imagens foram registradas pelo fotógrafo Luís Pedruco e circularam nas redes sociais.
Pior que a cena em si é a identidade do agressor. Internautas reconheceram o autor do golpe: o vereador Denys Moraes (PRD), de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Um parlamentar, eleito pelo voto popular, quebrando o vidro de um carro com pessoas dentro por causa de um adesivo político. Não é exagero dizer que a intolerância política chegou ao ápice do limite.
Protestar é direito. Agredir é crime.
Vamos deixar uma coisa clara, sem meias palavras: é válido protestar, manifestar, defender o seu candidato, gritar o nome dele até ficar rouco. Isso é democracia funcionando. O que aconteceu em Curitiba não foi manifestação, foi violência. Xingar, cercar, chutar e quebrar o vidro de um carro com gente dentro não é defender ideia nenhuma, é tentar calar o outro pela força.
Quem age assim não está defendendo a democracia, está destruindo o que ela tem de mais básico: o direito de cada um pensar e votar diferente. Um carro com adesivo de Lula não é uma ameaça. É um eleitor exercendo a liberdade de expressão. E foi exatamente esse eleitor que precisou registrar boletim de ocorrência depois de ser atacado.
A reação das instituições veio na medida. O presidente do PT no Paraná, Arilson Chiorato, ingressou com ação judicial criminal contra Denys Moraes e pediu a cassação do mandato do vereador. Justo. Quem usa a violência contra eleitores não tem condições morais de ocupar uma cadeira no Legislativo. O caso precisa ser investigado com rigor pela Polícia Civil, e os demais participantes da agressão, identificados e responsabilizados.
O silêncio também fala
Chama atenção a postura de Sergio Moro, que liderou o ato e, procurado pela imprensa, preferiu não se manifestar sobre a agressão. O silêncio de quem convoca uma manifestação diante de um ataque cometido dentro dela não é neutralidade, é conivência. Quem quer ser governador de todos os paranaenses não pode fingir que não viu um eleitor ser apedrejado por pensar diferente.
O episódio não é um caso isolado, é um sintoma. Em ano de segundo turno, com o país rachado ao meio, a violência política virou o combustível de quem não sabe vencer no debate. Mas é preciso repetir até cansar: adversário não é inimigo, e o voto do outro não é um ataque à sua existência.
Que a pedrada em Curitiba sirva de alerta. O vidro quebrado pode ser consertado. A democracia, ferida assim, demora muito mais para se recuperar. E ela só se sustenta se cada um de nós aceitar uma regra simples, que vale para todos os lados: pode-se discordar de tudo, menos do direito do outro de discordar.
