UPA de Santo Antônio da Platina faz mais de uma década sem atender finalidade para a qual foi construída

Prédio erguido com R$ 2,2 milhões segue sem funcionar como pronto atendimento; Centro de Especialidades não dá conta da demanda; Hospital do Câncer, prometido há quase 10 anos, segue sem data para sair do papel

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo Antônio da Platina, construída há mais de uma década na região do Parque Rennó para ser um pronto atendimento regional, segue sem cumprir a finalidade para a qual foi erguida. Enquanto isso, os platinenses continuam se deslocando para outras cidades em busca de atendimento de urgência e de tratamento especializado — e o Hospital do Câncer, anunciado e reanunciado ao longo de quase 10 anos, permanece uma realidade distante.

Uma obra que nunca funcionou
A UPA foi construída com recursos liberados a partir de 2013, na gestão do então prefeito Pedro Claro (2013-2016), com investimento de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. A obra foi concluída, mas a unidade nunca chegou a atender um único paciente como pronto atendimento: na hora de colocá-la em operação, faltou dinheiro para equipamentos e para a contratação de pessoal.
Desde 2017, o prédio permanece sem exercer sua função original. Durante as duas gestões consecutivas do ex-prefeito Zezão (2017-2024), foram cerca de sete anos de tentativas frustradas de dar uma destinação ao imóvel. Só em agosto de 2024, no fim do segundo mandato, o espaço foi parcialmente ocupado por um Centro de Especialidades Médicas e Oncologia — uma solução paliativa, que não substitui o pronto atendimento que a população esperava.

Centro de Especialidades: estrutura que não dá conta da demanda
O Centro de Especialidades, ainda que funcione dentro do prédio da UPA, não consegue atender a demanda de pacientes do município. Com capacidade limitada e um número restrito de especialidades — oncologia, ortopedia, urologia, psicologia, fonoaudiologia e telemedicina, entre outras —, o espaço enfrenta filas e limitações no agendamento, longe de suprir a necessidade de uma cidade polo do Norte Pioneiro.
Na prática, o que era para ser uma UPA 24 horas — atendimento de urgência e emergência à disposição da população a qualquer hora — virou um ambulatório com horário comercial.

Platinenses seguem viajando e dependendo do CISNORPI de Jacarezinho
A realidade é que os moradores de Santo Antônio da Platina continuam dependendo de deslocamentos para outras regiões. Pacientes que precisam de consultas especializadas, exames e tratamentos oncológicos seguem para Londrina, Curitiba e outros centros — viagens longas, desgastantes e que poderiam ser evitadas com uma estrutura local funcionando.
O município ainda depende fortemente do CISNORPI — Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro, sediado em Jacarezinho, para os atendimentos de maior complexidade. A base avançada do SAMU instalada na ex-UPA, por exemplo, só existe graças ao consórcio — uma demonstração de que, sem a estrutura regional, a cidade não teria nem o socorro de urgência adequado.
A própria gestão reconhece esse cenário: em novembro de 2025, o prefeito Gil Martins anunciou a aquisição de “kits lanche” para pacientes que precisam de atendimento “por exemplo, em Londrina, Curitiba” — um retrato do quanto o município ainda depende de outras cidades para cuidar da sua população.

Casa do Autista: promessa cercada de problemas e reclamações
Outra promessa da gestão Gil Martins que enfrenta dificuldades é a Casa do Autista. Anunciada para funcionar no prédio da ex-UPA a partir de julho de 2025, a estrutura vem enfrentando inúmeros problemas e reclamações por parte da população, especialmente de pais e mães que têm filhos autistas.
As queixas envolvem a demora na efetivação do serviço e a falta de estrutura adequada para atender as crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — famílias que esperavam um atendimento especializado, com equipe preparada, e se deparam com um serviço que ainda está longe do que foi anunciado. Para essas famílias, a promessa feita em 2025 segue sendo apenas mais uma promessa.

Hospital do Câncer: uma promessa de quase 10 anos
A promessa de trazer o Hospital do Câncer de Londrina (HCL) para Santo Antônio da Platina se arrasta há quase uma década. Ainda na gestão Zezão, a prefeitura tentou por sete anos instalar uma unidade do hospital no prédio da UPA. Chegou a haver cessão de direito real de uso, doação de um terreno de 4.000 m² ao lado do imóvel e uma carta de compromisso prevendo o funcionamento a partir de outubro de 2023. As tratativas, porém, esfriaram e o projeto não saiu do papel.

Em 31 de outubro de 2025, a promessa foi retomada com pompa: o prefeito Gil Martins anunciou, ao lado do governador Ratinho Junior, a instalação de um Posto Avançado do Hospital do Câncer de Londrina no prédio da antiga UPA, com consultas, exames, biópsias e quimioterapia. O imóvel e a área contígua seriam doados ao HCL, com o governo estadual arcando com o custeio.

A promessa de dezembro de 2025 que não se cumpriu
Na ocasião, a gestão Gil chegou a afirmar que a unidade estaria em funcionamento já em dezembro de 2025, levando medicamentos para a população. Passados nove meses, a realidade é outra: o Hospital do Câncer não abriu, os medicamentos não chegaram e a UPA continua fechada.
Até setembro de 2026, não há notícia de inauguração do Posto Avançado. O prédio segue parcialmente ocupado — abriga o Centro de Especialidades, a base avançada do SAMU, inaugurada em maio de 2025, e a Casa do Autista — mas o pronto atendimento especializado, que motivou a construção do imóvel e que foi prometido à população, segue inexistente.

Muitos anúncios, pouca entrega: a base política não resolve a saúde
É a gestão que muito anuncia e pouco faz. Anunciou tanto, mas até agora, na prática, fez tão pouco. As demandas de saúde da população seguem precárias.

Apesar da base de deputados estaduais e federais que dizem apoiar a gestão, incluindo parlamentares com forte atuação no Norte Pioneiro, esses apoios não têm se traduzido em entregas plenas dentro do município na gestão Gil. As demandas de saúde de Santo Antônio da Platina continuam se acumulando: falta pronto atendimento, falta estrutura oncológica, falta serviço adequado para as crianças autistas, e a população segue refém de viagens para outras cidades. Anunciar é fácil. O que a população platinense espera é ver o anúncio se transformar em atendimento — e isso, até agora, não aconteceu. Enquanto o discurso oficial celebra anúncios, a população de Santo Antônio da Platina segue sem o pronto atendimento de qualidade que foi prometido há mais de uma década e continua viajando para outras regiões em busca dos cuidados que deveriam estar ao lado de casa. Isso mostra que a atual gestão não tem força política para bancar aquilo que promete..

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