
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a integrar o radar da CPMI do INSS, que investiga um esquema de fraudes e desvios milionários envolvendo benefícios previdenciários.
Um requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) solicita a convocação do parlamentar para prestar esclarecimentos à comissão.
A votação do pedido está prevista para esta quinta-feira (5), na retomada dos trabalhos da comissão mista.
Qual é a suspeita?
Segundo as investigações da Polícia Federal, o nome do senador surge em meio a apurações sobre o núcleo apontado como central no esquema, liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A conexão mencionada no requerimento se daria por meio de Letícia Caetano dos Reis, administradora da empresa Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, aberta em abril de 2021. O escritório foi registrado no mesmo endereço da mansão adquirida pelo senador naquele ano, imóvel avaliado em R$ 5,97 milhões.
Letícia afirmou, em entrevistas, ter sido indicada ao cargo pelo advogado Willer Tomaz de Souza, descrito como próximo ao senador e influente nos bastidores políticos de Brasília.
Empresas, offshore e movimentações suspeitas
Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado pela PF como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes. Alexandre é citado como operador das fraudes por meio da empresa Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas — considerada pelos investigadores como possível offshore usada para blindagem patrimonial.
De acordo com as apurações: A empresa teria adquirido quatro imóveis em 2024, somando R$ 11 milhões; Há suspeita de incompatibilidade entre os bens adquiridos e a renda declarada; Alexandre também atuaria como contador do Instituto Modal e teria participação em empresas do grupo “VOGA”; Uma de suas sócias, Paula Batista dos Reis, é investigada por movimentar R$ 8,1 milhões considerados suspeitos.
O que pede o requerimento?
O pedido apresentado por Rogério Correia inclui: Convocação de Flávio Bolsonaro; Convocação de Letícia Caetano dos Reis; Quebra de sigilo bancário e fiscal da administradora; Análise de movimentações financeiras ligadas a investigados.
O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a comissão pretende realizar ao menos 13 sessões antes da votação do relatório final, prevista para o fim de março.
Próximos passos
Caso o requerimento seja aprovado, o senador poderá ser convocado formalmente para prestar esclarecimentos. Até o momento, não há acusação formal contra Flávio Bolsonaro no âmbito da comissão — o procedimento está na fase de investigação e coleta de depoimentos.
A CPMI foi instalada para apurar um dos maiores esquemas recentes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com indícios de uso de empresas, laranjas e estruturas internacionais para movimentação de recursos.
Café com Pimenta seguirá acompanhando os desdobramentos da comissão e a votação dos requerimentos nesta quinta-feira.
