
O ano mal começou e Santo Antônio da Platina já revive um velho pesadelo administrativo — agora repaginado, com novo nome, novo contrato milionário e os mesmos problemas de sempre….
Avisos estampados em portas, balcões e caixas de supermercados escancaram a realidade que o discurso oficial insiste em maquiar: o novo Cartão Alimentação da Prefeitura já começa a ser recusado no comércio local.
Não se trata de boato, especulação ou oposição política. É fato. As imagens circulam, os comunicados são públicos e os constrangimentos são reais. Servidores públicos municipais, que deveriam ser valorizados, voltaram a passar vergonha na fila do caixa por falhas de um sistema que já nasceu desacreditado.
Um problema anunciado
Como este portal já havia alertado, a contratação da empresa O2 Plus Card Instituição de Pagamentos Ltda., vencedora do Pregão Eletrônico nº 75/2025 e signatária do Contrato nº 163/2025, era um risco conhecido. Não apenas pelos valores envolvidos — mais de R$ 11 milhões em apenas 12 meses, com possibilidade de prorrogação por até 10 anos — mas, sobretudo, pelo histórico problemático da empresa em outras cidades do país.
Em Cachoeira do Sul (RS), o cartão ganhou um apelido que agora ecoa em solo platinense: “Cartão Problema”. Poucos estabelecimentos credenciados, instabilidade no sistema e comerciantes ficando no prejuízo. O mesmo filme, agora sendo exibido novamente em Santo Antônio da Platina.
Comércio acuado, servidor exposto
O que se vê hoje no município é um comércio acuado, com medo de vender e não receber. Supermercados, mercados de bairro e panificadoras passaram a recusar o novo cartão, temendo repetir o calote vivido com o antigo Face Card — empresa que deixou valores em aberto no comércio local e até hoje não prestou esclarecimentos satisfatórios.
Mais grave ainda: servidores públicos municipais não receberam, até a data de hoje, os valores que ficaram retidos no antigo cartão Face Card, sem qualquer solução concreta apresentada pela administração municipal. O silêncio do Executivo sobre esse passivo financeiro é tão grave quanto o próprio prejuízo.
E, como sempre, quem paga a conta é o elo mais fraco da cadeia: o servidor público, o trabalhador municipal, aquele que depende do vale-alimentação para garantir o básico em casa.
O benefício que deveria assegurar dignidade transformou-se em instrumento de humilhação.
Silêncio como política pública
O mais grave não é apenas o problema em si, mas a postura da administração municipal. Não há nota oficial clara, não há coletiva, não há explicação técnica convincente. O silêncio se repete, assim como se repetiram os erros.
Nem o RH, nem a Secretaria de Fazenda, tampouco o gabinete do prefeito se manifestaram oficialmente sobre: os valores retidos do Face Card que não foram pagos aos servidores até hoje; os comerciantes que ficaram no prejuízo; a recusa do novo Cartão Problema 2026 em estabelecimentos da cidade; as garantias reais de repasse financeiro com a O2 Plus Card.
Esse padrão não é acaso. É método. Ou, no mínimo, ineficiência crônica.
2025 foi colapso. 2026 começa em crise.
Não é exagero afirmar: 2025 foi um colapso administrativo em Santo Antônio da Platina. Saúde em tensão, contratos questionáveis, falta de planejamento e decisões que ignoraram completamente a realidade local.
O mais preocupante é constatar que 2026 começa do mesmo jeito: crise, improviso e transferência de responsabilidade. A gestão pública, que deveria antecipar problemas e proteger o interesse coletivo, segue tropeçando nos próprios erros — e arrastando a cidade junto.
O novo cartão, que sequer conseguiu se consolidar, já nasce carimbado pela população como “Cartão Problema”.
A pergunta que não cala
Diante de tudo isso, a pergunta que ecoa nas ruas, nos mercados e nos corredores da Prefeitura é simples e direta:
Vantajoso para quem?
Certamente não para o servidor. Certamente não para o comércio local. Certamente não para a cidade.
O que o Café com Pimenta defende
O Café com Pimenta reafirma sua posição:
Transparência imediata sobre os valores retidos do Face Card;
Pagamento urgente aos servidores públicos prejudicados;
Garantias concretas de repasse ao comércio local;
Ampliação real da rede credenciada;
Respeito ao servidor público, que não pode continuar sendo submetido a constrangimentos;
Responsabilização administrativa por decisões que geram prejuízo coletivo.
O Café com Pimenta seguirá acompanhando, fiscalizando e dando voz a servidores e comerciantes. Porque quando a administração insiste em gostar de problema, a imprensa tem o dever de escancarar.
Este portal permanece aberto para nota oficial e pronunciamento do Executivo Municipal.
Enquanto isso, a pimenta segue ardendo — porque ineficiência também precisa ser denunciada..
