Moro enfrenta veto no PP e relembra episódio polêmico em Santo Antônio da Platina

O cenário político do Paraná para as eleições de 2026 ganhou novos contornos após declarações do deputado federal Ricardo Barros (PP), que afirmou ser “irreversível” o veto interno do partido à pré-candidatura do senador Sergio Moro ao Governo do Estado.

Segundo Barros, caso o ex-juiz da Lava Jato queira disputar o Palácio Iguaçu, precisará buscar uma nova legenda, uma vez que a federação entre União Brasil e PP exige consenso para o registro de candidaturas majoritárias — o que, neste momento, não existe no Paraná.

Impasse na federação
O conflito gira em torno da formação da federação partidária. Pelas regras eleitorais, os partidos federados atuam como uma única sigla por quatro anos, compartilhando decisões estratégicas tanto no plano nacional quanto estadual.
No Paraná, o PP já deixou claro que não pretende oferecer palanque a Moro, mantendo alinhamento político com o grupo do governador Ratinho Júnior (PSD). O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, declarou que respeitará a decisão do diretório estadual.
Ricardo Barros foi direto: dentro da federação, Moro não terá condições de registrar sua candidatura.

Moro lidera pesquisas
Apesar das dificuldades partidárias, o senador aparece na liderança em diversas pesquisas de intenção de voto realizadas entre o final de 2025 e o início de 2026. Esse desempenho eleitoral fortalece seu poder de negociação com outras siglas, como Republicanos e PL, que surgem como possíveis destinos partidários.

Episódio em Santo Antônio da Platina
O momento atual também reacende episódios políticos recentes no interior do estado. Em 2025, a Câmara Municipal de Santo Antônio da Platina rejeitou a concessão do título de Cidadão Honorário ao senador Sergio Moro.
A negativa da honraria gerou debates intensos no Legislativo municipal e dividiu opiniões na comunidade local. À época, vereadores argumentaram que a concessão do título deveria considerar critérios de contribuição direta ao município, enquanto defensores da homenagem sustentavam que a atuação nacional de Moro justificaria o reconhecimento.
O episódio acabou sendo interpretado por analistas políticos como um sinal de que, mesmo em redutos considerados conservadores, o nome do senador enfrenta resistências institucionais.

Rejeição em diferentes espectros ideológicos
Além do impasse partidário, Moro também enfrenta um cenário de rejeição que atravessa diferentes campos ideológicos. Na esquerda, sua imagem permanece fortemente associada à condução da Operação Lava Jato e à prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — fato que marcou profundamente o cenário político nacional e ainda gera críticas contundentes de lideranças progressistas.
Já na ala mais radical da direita, parte do eleitorado bolsonarista passou a manifestar resistência ao senador após seu rompimento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrido durante sua saída do Ministério da Justiça em 2020. Para esse grupo, Moro teria “traído” o projeto político que ajudou a eleger Bolsonaro.
Esse duplo desgaste político cria um cenário complexo: embora lidere pesquisas em determinados levantamentos, o senador também apresenta índices relevantes de rejeição, fator que pode influenciar diretamente sua viabilidade eleitoral.

Questionamentos e processos
Outro elemento que adiciona tensão ao cenário é o fato de que Moro já foi citado em diferentes ações e questionamentos judiciais ao longo dos últimos anos, alguns deles relacionados à sua atuação como juiz da Lava Jato e outros à sua trajetória política. Embora tais procedimentos façam parte do ambiente institucional e do debate democrático, opositores utilizam esses episódios como argumento para desgastar sua imagem pública.

Reconfiguração da direita paranaense
Com a janela partidária se aproximando e as federações em fase decisiva, o chamado “fator Moro” tornou-se um dos principais elementos de instabilidade na direita paranaense. O PP já cogita outros nomes para a disputa, como o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, ou a eventual indicação de um sucessor alinhado ao atual governo estadual.
Se confirmada a saída do União Brasil, Moro poderá provocar uma reconfiguração profunda nas alianças políticas do Paraná, alterando não apenas a disputa estadual, mas também a composição das chapas proporcionais.
O Café com Pimenta seguirá acompanhando os desdobramentos desse embate que promete redesenhar o cenário político paranaense nos próximos meses — em um ambiente onde força eleitoral e rejeição caminham lado a lado.
 

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