RETROSPECTIVA 2025 EXECUTIVO MUNICIPAL

Gestão pública ou gestão de narrativa? As perguntas que Santo Antônio da Platina termina o ano fazendo

Santo Antônio da Platina – PR
O encerramento de 2025 deixa no ar uma sequência de questionamentos inevitáveis sobre a condução administrativa de Santo Antônio da Platina. Ao longo do ano, fatos, decisões e episódios noticiados pelo Café com Pimenta suscitaram dúvidas legítimas: houve planejamento suficiente? houve transparência real? as prioridades foram, de fato, as da população?
À frente do Executivo municipal está o prefeito Gil Martins, cuja gestão, ao longo do ano, passou a ser marcada por decisões que, embora oficialmente justificadas, levantaram inquietações recorrentes entre servidores, comerciantes e cidadãos.
Esta retrospectiva não afirma — questiona. Porque questionar, em uma democracia, não é ataque: é dever.
 
REFORMA ADMINISTRATIVA: URGÊNCIA TÉCNICA OU PRESSA POLÍTICA?
Um dos episódios mais sensíveis de 2025 foi a tramitação de uma reforma administrativa de grande impacto financeiro, estimada em quase R$ 10 milhões. Um projeto extenso, técnico e complexo — e que avançou em ritmo acelerado.
A pergunta que ficou ecoando pela cidade foi simples:
Por que tamanha pressa em um tema que exige estudo profundo, debate público e ampla participação social?
Seria razoável esperar audiências públicas, explicações acessíveis e tempo adequado para análise legislativa. A opção por um caminho mais rápido atendeu plenamente ao interesse público ou apenas à conveniência política do momento?
 
 NOVO CARTÃO, VELHAS INSEGURANÇAS?
A contratação de um novo cartão de benefícios, com valores superiores a R$ 11 milhões, trouxe de volta preocupações antigas. Comerciantes e servidores, ainda impactados por experiências anteriores, passaram a questionar:
Quais garantias concretas existem para evitar novos prejuízos?
O comércio local foi ouvido antes da implementação?
Quando contratos milionários avançam sem que erros passados estejam plenamente esclarecidos, a confiança naturalmente se fragiliza.
 
 OBRAS, TRÂNSITO E COMÉRCIO: PLANEJAMENTO OU IMPROVISO?
Intervenções no centro da cidade, especialmente em períodos sensíveis para o comércio, levantaram questionamentos sobre planejamento urbano.
Houve estudos de impacto econômico?
O cronograma considerou datas estratégicas para o comércio?
Os diretamente afetados foram consultados?
Obras públicas são necessárias, mas o modo e o momento de execução também são decisões políticas — e seus efeitos recaem diretamente sobre quem vive da cidade.
 
CÂMARA ALINHADA DEMAIS?
A aprovação de projetos que ampliam cargos comissionados gerou desconforto e questionamentos em parte da sociedade.
Era o momento adequado para ampliar a estrutura administrativa?
Houve critérios técnicos amplamente divulgados?
O impacto financeiro foi devidamente explicado?
Quando projetos avançam com facilidade excessiva, o silêncio institucional passa a ser interpretado como concordância automática.
 
 TAXA DO LIXO E SANEPAR: QUEM DECIDIU, COMO DECIDIU E POR QUÊ?
Outro tema que marcou 2025 foi a taxação do lixo, cobrada juntamente com a conta de água, por meio da Sanepar. O impacto financeiro foi imediato para muitas famílias.
As dúvidas surgiram rapidamente:
Os valores cobrados são proporcionais à realidade econômica local?
Houve debate público suficiente antes da implementação?
Qual foi o papel efetivo do Município nessa decisão?
Quando a cobrança chega antes da explicação, o sentimento predominante deixa de ser compreensão e passa a ser surpresa — ou indignação.
 
 DISCURSO INSTITUCIONAL X REALIDADE COTIDIANA
Enquanto balanços oficiais destacavam avanços administrativos, parte da população relatava dificuldades práticas, direitos suspensos e insegurança.
O discurso institucional reflete integralmente o cotidiano do cidadão?
As prioridades orçamentárias estão claras para quem paga impostos?
A comunicação informa ou apenas promove?
A distância entre narrativa e realidade é um dos fatores que mais desgastam a relação entre governo e sociedade.
 
 UM ANO TERMINA, AS PERGUNTAS PERMANECEM
A retrospectiva de 2025 não aponta culpados — aponta perguntas. E perguntas, quando se acumulam, exigem respostas públicas, claras e documentadas.
Santo Antônio da Platina precisa saber:
quem decide,
como decide,
para quem se decide.
O Café com Pimenta seguirá cumprindo seu papel: questionar onde há silêncio, analisar onde há pressa e cobrar explicações onde há impacto social.
Porque jornalismo não condena — questiona.
2026 se aproxima. A gestão estará disposta a responder?
 
Matéria especial – Retrospectiva 2025
Café com Pimenta – Jornalismo independente, crítico e responsável.

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